Allocutio – Julho 2023

Pe. Paul Chuchill

ALLOCUTIO

DIRETOR ESPIRITUAL DO CONCILIUM

Hoje, dia 16 de julho, é a festa de Nossa Senhora do Carmo. Trata-se, evidentemente, em primeiro lugar, de uma festa Carmelita. A ordem começou com alguns cruzados estabelecendo um abrigo no Monte Carmelo, a montanha associada com o grande profeta Elias, que tinha sido impregnado de um zelo fervoroso pelo seu Deus. A Ordem foi aprovada no Concílio de Lyon, em 1274.

Vamos voltar a Elias. A história de Elias foi e ainda é inspiradora. Durante seus dias, o coração do povo de Israel começou a afastar-se de Deus e de seus mandamentos sob as pressões de influências externas. O rei, Ahab, casou com uma mulher de uma cultura vizinha, que trouxe consigo noções pagãs dos deuses ou baals, e das suas práticas. Esta mistura com uma tendência da sociedade em seguir as influências exteriores, fez com que, lentamente, a pureza da fé de Israel fosse sendo desvirtuada. Cultos à fertilidade esta­vam entrando em moda, e uma licenciosidade em questões sexuais veio com eles. Foi neste cenário cultural que o profeta Elias falou corajosamente, desafiando o rei, a sua mulher e toda Israel.

Uma ocasião, quando Elias procurava fugir, escondeu-se em uma gruta. Ele então encontrou Deus passando pela gruta, não numa tempestade ou terramoto ou fogo, mas em uma suave brisa, e Deus lhe perguntou: “Que fazes aqui, Elias? E ele respondeu: “Tenho sido muito cuidadoso com o Senhor, o Deus dos exércitos, porque o povo de Israel tem abandonado a tua aliança, derrubado os teus altares e matado os teus profetas à espada; e eu, apenas eu, fiquei, e eles procuram a minha vida para destruí-la!” (1Rs 19,9-14).

Jesus, em suas palavras, associou claramente João Batista com Elias, por causa do espírito que ele tinha. Pode até se dizer que ao próprio Jesus, porque também ele se levantou e enfrentou uma distorção da fé, porque foi zeloso por Deus, como demonstrou, quando disse “A minha carne é fazer a vontade daquele que me enviou!”,

quando limpou o Templo, e, depois pagou com a sua vida na Cruz, pois que ele foi o supremo Elias. E, inspirados por tudo isto, as primeiras carmelitas do Monte Carmelo adotaram o lema de Elias: “Com zelo, tive ciúmes pelo Senhor dos exércitos”.

Mas quem foi mais zeloso por Deus entre as criaturas, senão aquela que abriu todo o seu ser a Ele, e permaneceu fiel até ao pé da Cruz? Assim, a Ordem dos Carmelitas adotou sempre Nossa Senhora como sua padroeira, mais do que Elias. Nossa Senhora apareceu a uma delas e deu-lhes a missão do Escapulário Castanho. E os legi­onários devem promover o Escapulário Castanho, um dos grandes Sacramentais da proteção de Maria.

Isto me parece ainda mais importante em um período da história, em que o meio cultural em que vivemos parece tão semelhante ao tempo de Elias. Muitas sociedades, outrora cristãs, foram atraídas por atrações e valores mundanos, enquanto um espírito hedonista em torno da sexualidade e das relações humanas é promovido nos meios de comunicação social, na Internet, e com a ajuda dos celulares. E ouvimos, também, vozes sugerindo, que a Igreja deveria mudar o seu sistema de valores para permitir uma gama mais alargada de comportamento e do exercício de relacionamento sexual.

Voltemo-nos para ela que viveu uma vida pura, e continuemos a pedir-lhe ajuda e cada graça que ela possa conquistar para nós, de modo a abraçarmos os caminhos saudáveis e provados da Igreja. Possa o Espírito Santo, por ela conquistar para nós, a nos ajudar a encontrar caminhos para melhor compreensão das nossas verdades, e a comunicação mais eficaz do que é verdadeiramente bom, e nos auxiliar com grande zelo e com valentia, a defender os caminhos salutares de Deus, construídos na natureza. E precisamos rezar também na batalha com as tentações, algumas vezes atiradas à nossa face por meio da mídia moderna. Que a Igreja seja protegida desta cultura moderna e permaneça firme com os valores que subsistem, não dando oportunidade ao demônio de fazer o caminho mais difícil para a fragilidade humana. E, quando rezarmos, recorramos especialmente a Maria, a mais pura das virgens, e a seu esposo, São José, seu castíssimo esposo, pedindo o amparo da sua poderosa intercessão.

Oh Maria, pela vossa Conceição pura e imaculada, tornai os nossos corpos puros e as nossas almas santas. Oh Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.

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